Os caminhos da arte
As atividades artísticas em geral, não só das artes visuais, mas também da música, dança, teatro, cinema e tantas outras; são extraordinárias fontes de enriquecimento e prazer. Em qualquer ramo artístico é possível trilhar diversos caminhos, seja como profissional ou como amador. E é sobre essa diferenciação de caminhos que desejo falar aqui.
A todos nós, ao longo da vida, é concedida a liberdade de escolha, o famoso “livre arbítrio”, e por isso é comum, dentro de cada escolha que fazemos, trilhar caminhos completamente diferentes, afinal cada um de nós escolhemos o que queremos ser e fazer. Mas esses percursos diferentes não são necessariamente melhores ou piores entre si, e muito menos excludentes ou menos valorizados se comparados com outras opções. Há apenas a diferença da maneira de encarar a finalidade da atividade artística. Uns vêem a arte como momento de descontração, outros como atividade terapêutica, há quem a veja como fonte de pesquisa e descoberta, ou como cultura necessária para manter seu status social e ainda como atividade comercial vendendo conhecimento ou produção e produtos artísticos como fonte de sustento financeiro. Qualquer que seja a importância ou a finalidade que a arte ocupa em sua consciência, é válida e deve ser praticada.
Uma pessoa pode perfeitamente escolher praticar arte, seja desenho, pintura, dança ou algum instrumento musical, por exemplo, apenas por prazer, para se divertir nas horas vagas, para ter um hobby, e diminuir seu estresse diário soltando a imaginação e se expressando artisticamente com total liberdade. Essa maneira de compreender a arte é tão fascinante quanto qualquer outra atividade de entretenimento. Arte vira sinônimo de lazer, alegria, festa, diversão, libertação.
As práticas de arte terapia, entretanto são conduzidas por outro lado. Com o objetivo de ajudar a tratar traumas, contribuir para o auto-conhecimento e elevar a auto-estima. A prática artística também pode levar à cura. Essa prática é um processo terapêutico que se serve do recurso expressivo a fim de conectar os mundos internos e externos do indivíduo, através de sua simbologia. Variados autores definiram a arte terapia, todos com conceitos semelhantes no que diz respeito à auto-expressão. É a arte livre, unida ao processo terapêutico, que transforma a arte terapia em uma técnica especial. Para saber mais sobre Arte terapia consulte o verbete: “Arte terapia” da Wikipedia.
Já a arte educação Arte-educação ou ensino de Arte é a educação que oportuniza ao indivíduo o acesso à Arte como linguagem expressiva e forma de conhecimento.
A educação em arte, assim como a educação geral e plena do indivíduo, acontece na sociedade de duas formas: assistematicamente através dos meios de comunicação de massa e das manifestações não institucionalizadas da cultura, como as relacionadas ao folclore (entendido como manifestação viva e em mutação, não limitado apenas à preservação de tradições); e sistematicamente na escola ou em outras instituições de ensino.
A arte educação tem um objetivo maior que a formação de profissionais dedicados a esta área de conhecimento, no âmbito da escola regular busca oferecer aos indivíduos condições para que compreenda o que ocorre no plano da expressão e no plano do significado ao interagir com as Artes, permitindo sua inserção social de maneira mais ampla.
No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96) estabeleceu em seu artigo 26, parágrafo 2º que:
"O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. (...) A arte é um patrimônio cultural da humanidade, e todo ser humano tem direito ao acesso a esse saber."
Há ainda o caminho da arte vista como fonte de pesquisa. E esse é um fabuloso instrumento de enriquecimento cultural e intelectual. Muito do que se sabe sobre a humanidade hoje foi descoberto analisando as produções artísticas de outros tempos. Estudar a obra de um artista, aprender a usar os materiais que ele usava, nas mesmas condições que ele usava e a linguagem que empregava, pode nos favorecer muito em nossa própria compreensão de sua atividade. Saber sobre arte é tão importante quanto fazer arte. E quem escolhe o caminho do estudo e da pesquisa, normalmente complementa sua teoria com a própria prática, elevando seu estado de consciência sobre o que sabe e faz. O que o leva a uma pesquisa pessoal e descobertas próprias.
Arte também é muito chique. Claro! Quem não iria se impressionar se uma pessoa mostrasse saber tanto de história da arte declamando alguns rótulos de escolas artísticas do passado, analisando e categorizando brilhantemente cada quadro em uma visita a museu, por exemplo. Mas de todos os outros caminhos esse parece ser o mais superficial e fútil. A pessoa que estuda arte sem exercê-la de fato, e usa seu conhecimento decorado dos livros, sem a correta análise e compreensão, apenas para impressionar alguns amigos, não merece o título de “artista”. Talvez para estas pessoas fosse importante aprender fazer sua arte, para sentir de perto o que lêem nos livros e revistas. É preciso saber sobre o que se fala de fato. Nada substitui a própria experiência.
Por outro lado, qualquer pessoa pode escolher ir rumo ao caminho comercial, mergulhando mais fundo no conhecimento artístico para se especializar em determinada arte e produzir a própria arte para vender. A esse indivíduo também são oferecidas as condições de expressão, pesquisa e lazer, mas a ele cabe uma série de outras informações e cuidados importantes. O artista profissional é aquele que vai sobreviver financeiramente de seu trabalho artístico e se este não for bom talvez não o sustente. E todos sabemos o quanto é complicado viver e pagar as próprias contas com o fruto de um trabalho cultural, especialmente em um país com tantos problemas neste setor. Mesmo assim o artista profissional é agraciado com tantas possibilidades e o sonho de ser reconhecido, admirado e aclamado fascina tanto que não poupa esforços para se destacar. Muitos dedicam vidas inteiras às suas criações e apesar de toda dificuldade própria da profissão, a prática artística é tão prazerosa para esses indivíduos, quanto nos tempos de criança quando fazia arte somente por diversão.
Assim, percebemos que a arte pode ser uma atividade de lazer, atividade de tratamento, prática de ensino, atividade de pesquisa, atividade social ou atividade comercial e de sobrevivência. E todas essas atividades podem acontecer juntas, ao mesmo tempo e para a mesma pessoa. Há momentos que podemos ser mais livres, em outras ocasiões podemos nos refugiar nas artes para tratar alguma ferida emocional, é possível pesquisar sobre arte como se fôssemos descobrir um grande tesouro escondido, ou podemos nos comportar como professores, transmitindo para colegas ou alunos o que já sabemos, e podemos nos alimentar culturalmente, e até fazer trabalhos para vender e atender a clientes.
A cada um de nós, interessados nesse assunto, cabe escolher que caminho seguir e o que fazer com nossa arte. Sabendo que como lazer ela pode ser descompromissada, alguns erros e falhas técnicas são até perdoáveis e passam a ser parte do espetáculo. Mas a produção profissional carrega a obrigação de ser melhor planejada e executada, o que normalmente não se vê, devido às grandes dificuldades de produzir com orçamentos apertados, acredito que seja esse o grande motivo na maior parte das vezes. Daí se conclui que ao profissional de arte cabe se superar e superar ainda mais todas a adversidades do caminho. Por isso o sujeito que escolher seguir esta direção deve ser ainda mais apaixonado por arte do que qualquer outro, ele deve ser um indivíduo dependente de sua produção tanto quanto depende de água para viver. A arte para o artista profissional deve ser seu cotidiano, sua língua, sua vida, sua sobrevivência, sem nunca perder o rumo ou desanimar, sabendo que todo esforço vale a pena, porque acima de tudo há desejo e paixão pelo trabalho que realiza.
É o que eu sempre digo, se não vender, que me valha como aprendizado ou diversão, até a próxima obra!
Artigo, Tema: Desenho
Por Cristina Jacó, para desenhotudo.com
Publicado Sábado, 25 de outubro de 2008 às 10h57
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